2 de fevereiro de 2010


"a merda parece dissipar-se [constato], por pouco que seja. o ar se torna mais tragável.

[tempo - o sentido das aspas]
e talvez fosse melhor ter anotado [penso] o dia 01/08/08, em que andando sozinho pela bela Paraty, a Mãe liga para dizer a chegada da carta que não chega : favorable em letras grandes [imagino], o dia brilhando na cidade, o livro de Beckett debaixo do braço, a taça de café saboroso sobre a mesa. mas não, porque estava sem o caderno [moleskine preto 2008], no melhor dia desse estranho ano [considero] que parece não passar, desse ano que deveria ter sido [lembro] algo como o ano do corpo, mas [julgo] em que me crescem as banhas e caem os cabelos. e estava sem o caderno — pela mesma razão [explico-me] pela qual deixei de anotar os últimos três meses, os mais duros [pondero], até onde me corre a memória [...]".

"é que não houve anotação ou pensamento qualquer [sinto] que pudesse ter me valido de alguma coisa.
algo então que pudesse ter sido rabiscado, aí.nada, rigorosamente nada [preciso], e as lacunas nas datas dizem mais [concluo] do que a letra débil de hoje jamais poderia".

3 comentários:

Marlon Miguel disse...

Seu post me fez recorrer às minhas anotações de 2008. E achei uma que me levou novamente, de algum modo que não sei bem explicar, às suas.

02/12/2008 – O que nos faz aprender? “On se sait jamais d’avance comment quelqu’un va aprendre – par quelles amours on devient bon en latin, par quelles rencontres on est philosophe, dans quels dictionnaires on apprend à penser” (Deleuze, Mil Platôs?). O que nos força em uma direção, que nos toma e não podemos senão responder? O que me violenta a responder?

Daniel Jablonski disse...

marlon, embora a minha bossa não seja deleuze, devo confessar : faz senso.

Lucas C disse...

Eu sempre tive o péssimo habito de não datar as minhas notas. Talvez isso explique certas coisas, como uma dificuldade ou negação, uma vontade de não contar a propria historia. Você sabe que ela teve la suas merdas, e que apesar de tudo eu soube mais ou menos entendê-la, conta-la na intimidade pelo menos, e que ela ja me pareceu muito mais pesada do que hoje parece. Tudo isso pra dizer que quando você diz que eu sou "negativo" ao "criar" (tal coisa não é isso, e dai não se afirma nada), talvez tenha a ver com essa postura. Uma historia apesar de tudo boa, embora escrachada, com suas merdas no ventilador. E que tem se tornado melhor, e da qual você tem feito parte nos ultimos tempos, cotidianamente, apesar de nossas nadjas e iluminações. No mais, é importante dizer que o blog esta iradissimo (gostei muito da mesa de jantar, por conta dos "crochets") - neste momento em que ele esta prestes a dar uma "curva" animal, e "definitiva". Sera que o Bruno volta hoje, :) ?